O “disco voador” da Candangolândia: a história do primeiro posto da Petrobras

O “disco voador” da Candangolândia: a história do primeiro posto da Petrobras

Tempo de leitura: ~4 min  ·  Memória de Brasília

Antes de Brasília existir oficialmente, já havia quem chegasse ao Planalto Central com a esperança na bagagem, e um tanque para encher. Em 1959, um ano antes da inauguração da capital, nascia na Vila Acampamento, hoje Candangolândia, um dos primeiros postos de gasolina da nova cidade e era também o primeiro posto da Petrobras em todo o Brasil.

Um posto com cara de futuro

O Posto Guarapari foi projetado pelo arquiteto José Bina Fonyat e fazia parte de um complexo modernista que reunia hotel, edifício de serviços e um restaurante, este último, ponto de parada do próprio presidente Juscelino Kubitschek. Mas o que fixou o posto na memória dos brasilienses foi a sua caixa d'água: um disco gigante, suspenso, com cara de nave espacial. O apelido veio rápido, para uns, Posto do Cogumelo; para outros, Posto do Chapéu; para todos, o “disco voador” da Candangolândia.

Da ameaça à preservação

No fim dos anos 1990, a Petrobras planejou transformar o local em um centro de abastecimento de gás natural, e, para isso, queria derrubar todas as construções originais. A população reagiu. Pelas mãos do pioneiro Iremar Carlos Ferreira, o Carlos Paulista, negociou-se uma demolição apenas parcial do complexo, salvando o símbolo. Hoje, das construções originais, resta de pé apenas o “disco voador”, que segue causando espanto em quem passa pela Candangolândia e abastece com gás natural (GNV).

O elo com a Cascol

Esse marco da história de Brasília continua vivo, e é operado pela Cascol, a mesma rede que cuida de dezenas de postos sob bandeiras como Petrobras e Ipiranga, entre outras, em todo o Distrito Federal. E não é só uma coincidência de endereço: a história da Cascol nasceu exatamente nesses anos de fundação da capital.

Uma rede que cresceu junto com a cidade

Em 1958, o mineiro de Araguari Elson Cascão deixou a carreira militar na Força Aérea e mudou-se para o canteiro de obras que viraria Brasília. Com a ajuda do pai, comprou um posto na 2ª Avenida do Núcleo Bandeirante, a antiga Cidade Livre. Os primeiros postos levavam o nome do fundador: Auto Posto Cascão.

Foi ali que entrou em cena Antônio Matias, paraibano de Coremas, um entre dezoito irmãos, atraído pelo chamado de JK. Seu primeiro emprego foi justamente no Auto Posto Cascão. Nos primeiros meses, sem ter onde morar, ele dormia dentro de uma caixa d'água vazia no próprio empreendimento. Trabalhou, ganhou confiança e foi subindo: tornou-se gerente de um posto na 105 Sul, inaugurado em 21 de abril de 1960, o mesmo dia em que Brasília nascia oficialmente.

Cascão e Matias se tornaram sócios e seguiram lado a lado por mais de seis décadas, uma parceria que, segundo a própria família, atravessou 66 anos sem uma única briga. Com o tempo, o grupo ganhou novos sócios e cresceu até se tornar uma das maiores redes de combustíveis do país, com dezenas de postos espalhados pelo Distrito Federal.

Mais que combustível: memória

A história do primeiro posto de Brasília mostra que um posto pode ser muito mais do que um lugar de abastecer. Ele é ponto de encontro, é paisagem, é memória de uma cidade construída do zero no meio do cerrado. Cuidar desse “disco voador”,  e da própria trajetória que começou numa caixa d'água da Cidade Livre, é, para a Cascol, uma forma de manter viva a história que se confunde com a da capital. Há mais de seis décadas, do primeiro tanque ao posto da esquina, a gente cresce junto com Brasília.